O Livro dos Homens Sem Luz mas com muitas estrelas


Recentemente chegou-me à mão um livro do qual não tinha qualquer conhecimento: "O Livro dos Homens Sem Luz" de João tordo.
Confesso a minha ignorância, mas não tinha lido nada do autor e apenas sabia que era filho do Fernando Tordo (fadista português).


Muitas vezes avaliamos as pessoas por aquilo que os nossos próprios valores e no caso do cantor português sempre tive uma opinião demasiado negativa (embora podendo estar completamente errado, pois não conheço pessoalmente o senhor e baseio-me no que me aparenta) e o filho foi um pouco levado por "tabela", ou seja, não lhe dei a devida importância.
Até ler o livro que vos falei.

Quem me conhece sabe que valorizo muito histórias que transmitam sensações fortes. Aplica-se a filmes, séries, livros.
Acho que podemos crescer também com a ficção. Afinal, a ficção é sempre baseada na realidade e há realidades mais fortes que outras.
Para terem um exemplo, o filme que mais me marcou em 2012 foi "temos de falar sobre Kevin" que é sobre a mãe de um jovem de 17 anos que invade uma escola e mata alguns colegas. A partir daí vivemos a angústia da senhora e questionamos se o amor de mãe deve ser incondicional.
Uma situação que certamente várias mães tiveram que viver, infelizmente.

O livro

Posto isto, acredito que tenha sido essa a razão de me aconselharem este livro.
Tal como no nome indica, homens sem luz, o livro é extremamente negro, pesado, forte, solitário e angustiante.
4 histórias de diferentes personagens que têm algo em comum convivem com a desgraça e a infelicidade das suas vidas vazias.
As suas histórias são reais e demasiado dolorosas, como por exemplo a primeira personagem que perde a família num incêndio.
Se as histórias são complicadas, a escrita de João Tordo é muito simples.
Mas nunca simplista.
Com frases fluídas e de linguagem muito acessível, o autor consegue descrever o sentimento de perda, dor, estranheza e confusão que muitas vezes não conseguimos transpôr em palavras mas que o coração sofre.
Disseram-me que essa qualidade do uso da nossa rica língua é o facto de ter estudado em Nova Iorque. É quase um contracenso se assim for. E espero que não seja essa a principal razão porque quero acreditar no nosso ensino.

Mas que talvez as vivências e convivências com os grandes escritores e pensadores o tenha enriquecido, disso não duvido.
Acredito que o final seja um pouco decepcionante, mas todo o livro é uma constante e imperdível surpresa que compensa qualquer "defeito" que tenha.
Venha o próximo de João Tordo que fiquei fã.

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